
N E L
Apresentação
No momento em que a educação se apresenta como um dos mais discutidos temas da sociedade brasileira, e que, particularmente, o ensino de línguas compreende um desafio para os profissionais da área, acertadamente o Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Educação, propôs, em 1989, com base num projeto elaborado por uma equipe de professores da rede pública, a formação dos Núcleos de Estudos de Línguas, na perspectiva de assegurar aos segmentos sociais majoritários o acesso à educação básica de boa qualidade.
Esta proposta, surgida a partir da experiência dos Centros de Francês, implantados desde 1978, teve como meta a expansão da oferta de cursos de línguas (Português, Inglês, Francês, Alemão e Espanhol).
Hoje, a criação dos Núcleos de Estudos de Línguas representa um avanço dentro da política educacional adotada no Estado, uma vez que visa ao redimensionamento do ensino de línguas em nossas escolas, oferecendo ao aluno a oportunidade de desenvolver suas habilidades linguísticas e ampliar seu universo cultural.
Todos Falamos o Árabe
(As palavras em negrito são de origem árabe)

Georges Bourdoukan
A influência de uma língua manifesta-se quando passa a fazer parte no cotidiano das pessoas. Passados mais de mil anos, a língua árabe ainda está presente no dia-a-dia de todos os países do mundo, particularmente entre nós.
As-salamu-alaikum. Esta foi a primeira frase ouvida pelos naturais da América por ocasião do desembarque de Cristóvão Colombo. Significa “a paz esteja convosco” e foi dita por Luís de Torres, um mouro convertido que acompanhou Colombo a pedido dos reis Fernando e Isabel, da Edivha. Os monarcas entendiam que a presença de Torres era necessária porque ele poderia facilitar a comunicação com os habitantes da Índia, já que muitos deles eram muçulmanos. É evidente que os habitantes da América não entenderam a saudação. Mas os visitantes não titubearam em chamá-los de índios, criando uma grande dor de cabeça para os filólogos. Mas essa já é outra história.
Prosseguindo sobre a influência da língua árabe, digamos que muitos dos colonos portugueses que aqui aportaram vieram de alguma aldeia da região do Algarve ou de Alcântara. O barco no qual viajaram era comandado por um almirante, encarregado pelas autoridades portuguesas de estabelecer a alfândega e colocar ordem na nova terra. Em aqui chegando, nomeou um alferes e, para impor a lei, um xerife, depois de uma reunião com o alcaide numa sala, sentados sobre almofadas. Providenciaram também a construção de um albergue. O novo xerife possuía um almanaque, que o ensinava a observar o azimute e a estrela Aldebarã. Conhecia alquimia e era dono do armazém, que fornecia tecidos e alfinetes para o alfaiate, que fazia roupas com algibeiras.
Um senhor de engenho resolveu construir um alambique para a fabricação de álcool e alcatrão. Viajava montado num alazão. O local era protegido por uma fortificação onde ficava o atalaia. Para convocar os trabalhadores, mandava tocar um tambor. Possuía muitos alqueires. Mandou carpir o solo com alfanjes e o cercaram com mourões. Construíram alambrados usando alicates. Era para o gado mas só conseguiram colocar uma rês, que soltava uma baba fina. Ficaram preocupados quando viram um lobo. Mas, como não era membro de nenhuma alcateia, tranquilizaram-se. Alguns brancos passaram a viver com índias. Os filhos dessa união chamaram de mamelucos.
Em ferimento, usa-se algodão; para a tosse, xarope. E quando tudo corre bem diz-se aleluia, aleluia. O abade responde: amém.
Tudo bem, a história é ruinzinha. Mas alguém precisava escrevê-la.









